Para-raios, SPDA e aterramento: o que é cada coisa
Quase todo mundo chama o sistema inteiro de para-raios. Na prática, o para-raios é só a ponta: o captor que fica no alto e recebe a descarga. SPDA é o nome do sistema completo, que leva essa corrente até o solo sem passar pela estrutura nem pelas pessoas. O aterramento é a parte que dispersa essa corrente na terra.
Na indústria a palavra ainda tem um terceiro sentido, que confunde mais: na subestação, para-raios é o dispositivo que protege os equipamentos contra surtos vindos da rede da concessionária. É outro equipamento, com outra função, e não substitui o SPDA da cobertura.
O aterramento elétrico também existe por conta própria, sem nenhuma relação com raio. É ele que dá caminho para a corrente quando acontece uma falha, faz a proteção atuar e impede que a carcaça de uma máquina fique energizada. Por isso o laudo de SPDA e o laudo de aterramento são documentos diferentes, mesmo quando saem da mesma visita.
O que você precisa e o que resolve
| A sua situação | O que resolve |
|---|---|
| Não sei se a estrutura precisa de SPDA | Análise de risco conforme a NBR 5419 |
| Galpão, prédio ou ampliação nova | Projeto executivo, instalação e laudo ao final |
| Fiscalização, Corpo de Bombeiros ou seguradora pediram o documento | Laudo de SPDA com ART |
| O para-raios é antigo e nunca foi inspecionado | Inspeção, adequação do que está fora da norma e laudo |
| A fábrica cresceu depois que o SPDA foi feito | Revisão do projeto e integração da parte nova ao sistema |
| Máquina dando choque ou proteção que não atua | Laudo de aterramento, com medições |
| Montar o prontuário das instalações elétricas | Medições de SPDA e de aterramento para o PIE da NR-10 |
Primeiro passo: a análise de risco
A NBR 5419 manda calcular o risco que as descargas atmosféricas trazem para a estrutura, para as pessoas e para os sistemas internos. O cálculo considera o tamanho e o uso da edificação, o que ela guarda, a região e as linhas de energia e de sinal que chegam até ela.
O resultado mostra se a proteção é necessária e qual nível de proteção atende. Estruturas diferentes na mesma planta podem ter necessidades diferentes: nem todo galpão do terreno precisa do mesmo sistema.
As partes do sistema
- Captação: captores, condutores e malhas na cobertura, que recebem a descarga
- Descidas: condutores que levam a corrente da cobertura até o solo
- Aterramento: eletrodos e anéis que dispersam a corrente no solo
- Equipotencialização: ligações que evitam diferença de potencial perigosa entre partes metálicas
O que o projeto define
- Nível de proteção de cada estrutura
- Sistema de captação, pelo método adequado a cada cobertura
- Condutores de descida, naturais ou externos
- Sistema de aterramento
- Equipotencialização das massas metálicas e das linhas que entram na estrutura
- Dispositivos de proteção contra surtos (DPS), quando necessários
- Plantas, detalhes, memorial descritivo, lista de materiais e ART
SPDA estrutural ou externo
Em estruturas de concreto armado, as armaduras podem funcionar como descidas naturais, desde que a continuidade elétrica seja comprovada. Em galpões metálicos, a própria estrutura pode fazer parte do sistema. Quando isso não é possível, o projeto prevê descidas e captores externos.
Como é a instalação
- Conferência do projeto na estrutura
- Montagem da captação na cobertura, com trabalho em altura conforme a NR-35
- Instalação das descidas, com fixações e proteção mecânica nos trechos baixos
- Execução do aterramento e das caixas de inspeção
- Ligações de equipotencialização
- Ensaios de continuidade e medições
- Laudo de SPDA com ART
Adequação de um sistema existente
Muitas plantas têm SPDA antigo, feito antes das regras atuais da NBR 5419, ou sistemas que foram sendo alterados a cada ampliação. Nesses casos o trabalho parte da inspeção do que existe: a adequação aproveita o que atende à norma e corrige só o que está fora, o que costuma reduzir bastante o custo.
Os pontos que mais aparecem são captação insuficiente, descidas interrompidas, conexões corroídas e partes metálicas sem equipotencialização.
Galpão novo, cobertura trocada ou estrutura metálica nova precisam entrar no sistema de proteção. Nesses casos a Aimer revisa o projeto e integra a parte nova ao SPDA existente.
O laudo de SPDA e o que a inspeção verifica
O laudo é o documento técnico que registra a inspeção do sistema e as medições feitas no aterramento e na continuidade das descidas. Ele conclui se o sistema está de acordo com a NBR 5419 e lista o que precisa ser corrigido, por prioridade. Precisa ser emitido por profissional legalmente habilitado, com ART.
- Captores, condutores de descida e anéis de interligação
- Continuidade elétrica das armaduras e das descidas
- Estado das conexões, emendas e fixações
- Corrosão e danos causados por descargas anteriores
- Sistema de aterramento e equipotencialização
- Mudanças na estrutura que exijam revisão do projeto
O que mudou com a revisão de 2026 da NBR 5419
- A edição de 2015 foi substituída: laudo, projeto e análise de risco novos citam a NBR 5419:2026
- A densidade de descargas atmosféricas (Ng) foi atualizada e subiu em boa parte do país, o que pode mudar o resultado da análise de risco feita com os dados antigos
- A eficácia do aterramento é verificada pela continuidade elétrica entre as partes do sistema, medida com micro-ohmímetro; não é necessário medir resistência de aterramento nem buscar o valor de 10 Ω
Validade e periodicidade do laudo
A NBR 5419 define inspeções periódicas feitas por profissional habilitado, e a revisão de 2026 reforçou a exigência de um plano documentado de inspeção e manutenção. O intervalo depende do tipo de estrutura e do ambiente: instalação industrial, área classificada, atmosfera agressiva e serviço essencial ficam com os prazos mais curtos. Na prática do mercado o laudo é anual, e o laudo da Aimer informa a data da próxima inspeção.
Além da norma, o Corpo de Bombeiros, as seguradoras e a fiscalização do trabalho costumam pedir o laudo em dia. Pela regra atual da NR-10, as medições do SPDA e do aterramento também fazem parte do prontuário das instalações elétricas de estabelecimentos com carga acima de 75 kW.
O laudo de aterramento: o que é medido
O aterramento dá um caminho seguro para a corrente em caso de falha, faz a proteção atuar e evita que partes metálicas fiquem com tensão perigosa. Ele também é base para o SPDA, para a proteção contra surtos e para o bom funcionamento de equipamentos eletrônicos.
- Resistência de aterramento dos eletrodos
- Continuidade dos condutores de proteção até as máquinas e painéis
- Equipotencialização de estruturas, tubulações e massas metálicas
- Estado das conexões, caixas de inspeção e hastes
- Esquema de aterramento da instalação
- Compatibilidade entre o aterramento e os dispositivos de proteção
Como são feitas as medições
A resistência de aterramento é medida com terrômetro, pelo método da queda de potencial, com eletrodos auxiliares cravados no solo a distâncias adequadas. A continuidade dos condutores de proteção é medida com equipamento de baixa resistência, em cada ponto importante.
As medições são registradas com data, local, instrumento usado e condições do solo, para poderem ser comparadas com as próximas.
Manutenção: o que mais dá problema
- Captores e condutores soltos ou tombados na cobertura
- Descidas rompidas, cortadas em reformas ou furtadas
- Conexões oxidadas ou afrouxadas
- Caixas de inspeção enterradas, cheias de terra ou sem tampa
- Equipamentos novos na cobertura, como placas solares e antenas, sem ligação ao sistema
- Danos depois de uma descarga atmosférica
O que a manutenção corrige
Depois das correções a Aimer refaz as medições e emite o laudo com ART, para a empresa sair com o sistema funcionando e a documentação em dia. O serviço envolve coberturas e estruturas altas, e a equipe trabalha conforme a NR-35, com equipamentos de proteção e ancoragem adequados a cada estrutura.
- Refixação e troca de captores e condutores danificados
- Recomposição de descidas interrompidas
- Limpeza, reaperto e troca de conexões oxidadas
- Recuperação de caixas de inspeção
- Ligação de novas estruturas e equipamentos metálicos ao sistema
- Melhoria do aterramento, quando as medições pedirem
Quanto custa um serviço de SPDA
Não existe preço de tabela. O valor sai do levantamento da sua planta, e estes são os pontos que mais pesam no orçamento:
- Tamanho, altura e quantidade de estruturas
- Quantidade de descidas e de pontos de medição
- Tipo de sistema: estrutural ou com captores e descidas externas
- Acesso aos pontos de inspeção e necessidade de equipamentos para trabalho em altura
- Tipo de solo e extensão do aterramento
- Serviço novo, adequação de sistema existente ou só o laudo
- Distância da planta até a base da Aimer mais próxima
Para agilizar, envie pelo WhatsApp fotos do local ou do equipamento, os dados que você tiver e a cidade da planta. Um engenheiro da Aimer responde com os próximos passos.
Pedir orçamento no WhatsAppAtendemos indústrias em todo o Brasil, com bases em Goiânia (GO) e São Luís (MA). Veja onde atendemos.

